Por que algumas pessoas falam tão alto ao celular e o que isso revela

man talk loud on the phone

Quem nunca ficou preso no ônibus, no consultório ou na fila ouvindo a conversa de alguém ao celular, como se fosse um programa de rádio ao vivo? Às vezes dá vontade de perguntar: será que essa pessoa não percebe o quanto está gritando?

Por trás dos “faladores de telefone” existe um conjunto de fatores que se repetem. Não é só falta de educação: há um padrão que mistura cérebro, ouvido, costume e até solidão.

Primeiro ponto: o cérebro estranha falar sem ver o outro. Durante quase toda a história, as conversas aconteciam cara a cara. A expressão do rosto e o ambiente ajudam o cérebro a regular o volume da voz. No celular, essas pistas somem. Sem perceber, muita gente aumenta o tom, como se precisasse “garantir” que o outro está ouvindo.

Segundo ponto: o barulho ao redor engana. Quem fala ao celular em ônibus, rua movimentada, mercado ou feira precisa “vencer” o ruído. A reação automática é subir o volume. O problema é que, mesmo quando a pessoa entra em um lugar silencioso, o hábito continua. O corpo ainda está no “modo rua”.

Terceiro ponto: dificuldade de ouvir a própria voz. Com o celular colado na orelha, a pessoa se escuta menos, especialmente se já tem alguma perda auditiva – algo comum depois dos 60 anos. Por dentro, a sensação é de que está falando normal. Por fora, o volume está bem acima do razoável. Muitas vezes não é má vontade: ela realmente não percebe.

Quarto ponto: necessidade de se afirmar. Em alguns casos, falar alto é uma forma de se sentir importante. A pessoa aproveita para mostrar que tem negócios, problemas sérios, assuntos “urgentes”. Em salas de espera e ônibus, a mensagem silenciosa é: “olhem como eu sou ocupado”.

Quinto ponto: a solidão também entra na história. Para muita gente, o celular é a principal companhia do dia: a chamada de vídeo com o neto, a conversa com a filha que mora em outro estado, o amigo do grupo de WhatsApp. Quem passa muitas horas em silêncio pode se empolgar quando finalmente fala com alguém. A emoção sobe, o riso aumenta, a voz vai junto.

E o que você pode fazer quando alguém está gritando ao celular? Se for possível, mude de lugar. Às vezes é o jeito mais simples de preservar sua paz. Se não der para sair, uma frase curta costuma funcionar: “Desculpa incomodar, você poderia falar um pouco mais baixo?”. Evite ironias; em geral, só pioram o clima.

Em ambientes fechados com regras claras, como clínicas e cinemas, vale pedir ajuda a um funcionário, em vez de discutir diretamente.

Agora, se você desconfia que é um desses faladores de telefone, dá para ajustar. Observe a reação de quem está por perto. Se começam a se olhar ou a se afastar, talvez o volume esteja demais. Quando atender, repare se é um lugar silencioso; se não for, procure um cantinho mais reservado.

Também ajuda combinar um gesto com alguém de confiança em casa: sempre que sua voz subir, essa pessoa sinaliza. E, se você já sente que precisa aumentar muito a TV ou pedir para repetirem frases, vale marcar uma avaliação auditiva. Cuidar da audição não é frescura, é cuidar da sua autonomia.

No fim das contas, o “mistério” dos faladores de telefone é menos sobre maldade e mais sobre falta de consciência. Os ambientes são barulhentos, a solidão pesa, e tudo isso confunde nossos sentidos. Falar ao telefone respeitando o espaço dos outros é um gesto simples, mas que faz diferença enorme no dia a dia – principalmente em uma sociedade cansada de tanto barulho.

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