Talvez você tenha visto um clipe viral, uma foto curiosa ou simplesmente digitou “menonitas holdeman” no Google porque todo mundo parecia estar falando sobre isso. A verdade? Você não está sozinho. Milhares de brasileiros estão, neste exato momento, tentando entender quem são essas pessoas de roupas simples, sem redes sociais e uma vida que parece ter parado no tempo. Mas será que essa imagem está correta?
Este guia vai te ajudar a entender os Menonitas Holdeman de forma clara, respeitosa e sem estereótipos. Vamos explorar suas origens, como vivem hoje e por que, de repente, eles se tornaram assunto nas conversas de final de ano.
O que são os Menonitas Holdeman?
Os Menonitas Holdeman (oficialmente chamados de Church of God in Christ, Mennonite) são um ramo conservador da fé menonita. O nome vem de John Holdeman, um líder religioso que fundou o grupo em 1859, nos Estados Unidos, buscando retornar aos princípios originais do cristianismo anabatista.
Hoje, existem comunidades Holdeman em vários países, incluindo Estados Unidos, Canadá, México e, sim, também na América Latina, com pequenos grupos no Brasil. Eles somam cerca de 25 mil membros no mundo todo.
Suas crenças centrais incluem:
- Separação do mundo secular: evitam tecnologias modernas que consideram distrações espirituais.
- Vida comunitária: valorizam a cooperação, o trabalho manual e a simplicidade.
- Vestuário modesto: homens usam suspensórios e camisas de botão; mulheres usam vestidos longos e cobrem o cabelo com véus.
- Pacifismo: rejeitam a violência e o serviço militar.
Mas atenção: nem todos os menonitas são iguais. Existem dezenas de ramos, desde os mais progressistas (que usam smartphones e dirigem carros) até os mais conservadores, como os Holdeman e os Amish.
Como é a vida “simples” dos Holdeman hoje?
Quando falamos em “vida simples”, é fácil romantizar ou imaginar uma existência completamente desconectada. A realidade é mais nuançada.
Tecnologia: Os Holdeman não rejeitam toda tecnologia. Muitos usam tratores para agricultura, telefones comunitários para emergências e até energia elétrica em alguns casos. O critério? Se a tecnologia fortalece a comunidade e a fé, pode ser aceita. Se promove individualismo ou distração (como televisão, internet pessoal ou redes sociais), é evitada.
Trabalho: A maioria vive da agricultura, carpintaria, costura e pequenos negócios familiares. O trabalho manual é visto como uma forma de adoração e disciplina.
Educação: As crianças frequentam escolas dentro da comunidade, geralmente até o ensino fundamental. O foco está em habilidades práticas, leitura da Bíblia e valores comunitários, não em diplomas universitários.
Lazer: Não há Netflix ou futebol na TV, mas há música (hinos a cappella), jogos em família, piqueniques e visitas entre comunidades.
É uma vida que exige disciplina, mas também oferece forte senso de pertencimento e propósito, algo que muitas pessoas sentem falta no mundo hiperconectado de hoje.
Equívocos comuns que você precisa evitar
1. “Eles são Amish.”
Não. Os Amish são outro grupo, com origens e regras diferentes. Ambos vêm da tradição anabatista, mas os Holdeman têm suas próprias práticas e liderança.
2. “Eles são atrasados ou ignorantes.”
Escolher viver de forma simples não significa falta de inteligência. Muitos Holdeman são habilidosos em ofícios complexos, falam vários idiomas e tomam decisões conscientes sobre como querem viver.
3. “Eles não têm contato com o mundo exterior.”
Embora evitem a cultura secular, os Holdeman interagem com vizinhos, vendem produtos em mercados locais e, em alguns casos, viajam para ajudar outras comunidades.
4. “Eles são todos iguais.”
Como qualquer grupo humano, há diversidade de personalidades, talentos e até pequenas variações nas práticas entre comunidades.
Quando um detalhe vira polêmica
Às vezes, essa diversidade é apagada quando um único costume é isolado e tratado como representação de todo o grupo.
Um dos exemplos mais recentes envolve o chamado “holy kiss” (beijo santo), uma prática cristã antiga que foi distorcida por vídeos virais. O que os vídeos virais não explicam está detalhado neste artigo em inglês.
Por que os Menonitas Holdeman estão em alta agora?
Em dezembro de 2024, vários fatores se combinaram para colocar os Holdeman no radar brasileiro:
- Clipes virais no TikTok e Instagram: vídeos mostrando o cotidiano de comunidades menonitas (muitas vezes confundidas entre si) explodiram, gerando milhões de visualizações.
- Curiosidade pós-pandemia: após anos de isolamento forçado, muita gente se questiona sobre estilos de vida alternativos e desconexão digital.
- Documentários e reportagens: plataformas de streaming lançaram conteúdos sobre grupos religiosos conservadores, alimentando o interesse.
- Busca por autenticidade: em um mundo de influencers e filtros, a simplicidade radical dos Holdeman fascina.
No Brasil, onde a diversidade religiosa é grande, o tema também desperta debates sobre liberdade de escolha, educação e os limites entre tradição e modernidade.
Como consumir conteúdo sobre os Holdeman sem estereotipar
Se você quer aprender mais, aqui vão algumas dicas práticas:
Prefira fontes respeitosas: busque documentários sérios, livros escritos por acadêmicos ou até por ex-membros que compartilham suas experiências sem sensacionalismo.
Evite o “turismo de curiosidade”: não trate comunidades Holdeman como zoológicos humanos. Se visitar uma área onde eles vivem, respeite a privacidade e as regras locais.
Questione as narrativas: pergunte-se sempre: quem está contando essa história? É alguém de dentro da comunidade, um observador neutro ou alguém buscando views fáceis?
Reconheça a complexidade: nenhum grupo humano pode ser resumido em um clipe de 15 segundos. Há alegrias, desafios, conflitos e nuances que só aparecem com estudo aprofundado.
Respeite as escolhas: mesmo que você não concorde com o estilo de vida Holdeman, adultos têm o direito de escolher como viver, desde que não haja coerção ou abuso.
O que podemos aprender com os Holdeman (mesmo sem nos tornarmos um deles)
Você não precisa abandonar seu smartphone ou mudar para uma fazenda para extrair lições valiosas:
- Intencionalidade: os Holdeman escolhem conscientemente cada aspecto de suas vidas. Quantas de nossas escolhas são realmente nossas?
- Comunidade: em tempos de solidão epidêmica, o modelo de apoio mútuo deles é poderoso.
- Desaceleração: a vida sem notificações constantes permite foco, criatividade e presença.
- Sustentabilidade: muitas práticas Holdeman (agricultura local, consumo mínimo, reparação em vez de descarte) são ecologicamente sábias.
Não se trata de idealizar ou copiar, mas de refletir sobre o que realmente importa para você.
Próximos passos: como continuar aprendendo
Se este artigo despertou sua curiosidade, aqui estão ações concretas:
- Leia livros: procure por “Anabaptist World” ou “Mennonite Life” para perspectivas autênticas.
- Assista documentários: plataformas como YouTube têm canais educativos sobre menonitas (verifique sempre a credibilidade).
- Visite museus: em países como EUA e Canadá, há museus dedicados à história menonita.
- Converse (se possível): algumas comunidades aceitam visitantes respeitosos. Sempre pergunte antes.
- Reflita sobre sua própria vida: o que você gostaria de simplificar? Onde você quer mais conexão real?
Os Menonitas Holdeman não são uma curiosidade exótica nem um modelo perfeito. São pessoas reais, com uma fé profunda e escolhas radicais em um mundo que corre cada vez mais rápido. Entendê-los é, no fundo, uma oportunidade de entender melhor a nós mesmos e o que valorizamos.
E talvez, apenas talvez, desligar o celular por uma hora hoje não seja uma má ideia.



